Haviamos acabado de chegar no acampamento. Alugamos o chalé mais distante que havia, ficava perto de uma linda árvore que ao pôr-do-sol a paisagem ficava estupenda, perto dali havia também um fundo e velho poço. Ao passar pela recepção e pagar o chalé, pegamos uma fita para assistirmos.
Essa fita tinha uma lenda: ao término do filme que continha nela, o telefone tocaria e ao atender uma voz medonha falaria: os cavalos me atormentavam e no sétimo dia após ter assistido eu te chamarei para ver o pôr-do-sol e você morrerá. - diziam que todos que assistiram a tal fita morreram no sétimo dia no pôr-do-sol, conforme dito.
-Ana, você acredita nessa lenda? - Jonh perguntou a mim com um sorriso patético no rosto.
-Ah, não sei, fico com um pouco de receio a respeito dessas coisas...e você Paty, o que acha? - perguntei encarando-a
-Não, acho isso uma grande mentira. Isso não passa de uma lenda, por favor né gente.
Ficamos em silêncio por um instante. Jonh nos encarou e colocou a fita no DVD. O que filme que passava era totalmente confuso, durou em torno de sete minutos. E quando terminou o telefone tocou. Ficamos todos abismados um olhando para o outro e, no quarto toque Jonh disse:
-Não é possível. - e atendeu - sim é isso mesmo. - desligou.
-O que aconteceu? Quem era? - Eu e a Paty perguntamos em sintonia.
-O que já era de se esperar - Falou e abaixou a cabeça.
-Ai meu Deus, eu disse para não assistirmos essa maldita fita...e agora vamos morrer dentro de sete dias.
-Calma Ana, calma, era apenas o homem da pizza confirmando o pedido.- E deu uma alta gargalhada.
-Ai que brincadeira mais idiota, seu tolo.
-Foi engraçado, você já estava quase chorando Ana.
-Até você Paty? - E sorri
O telefone tocou novamente e foi Jonh quem atendeu. Fez uma expessão de muito assustado.
-Eu não vou cair de novo, quem era dessa vez? O homem da pizza de novo?
-Não Ana, eu juro, era a voz da qual a lenda falava.
-Fala sério Jonh, não tem mais graça.
-Eu to falando sério Ana, nunca falei tão sério!!!
Percebi que ele estava falando a verdade e quando olhei em seus olhos, estavam cheios de lágrimas.
-Eu acredito em você, precisamos sair daqui imeditamente e investigar sobre essa fita.
-Não há condições de sairmos daqui a essa hora. Está muito tarde e isso não vai mudar nada.
-Concordo com você Paty - falei
-Vamos dormir e amanhã quando amanhecer damos o fora daqui.
Acordamos 05:30 da matina. Chegamos na cidade e fomos pesquisar sobre a fita. Achamos muitas informações úteis. Vimos outra vez o filme da fita e vimos aquela mesma árvore e o mesmo poço ao lado do chalé.
Depois de estudarmos a fita por três dias, ainda nos restavam quatro dias de vida. Após ter lido muitas informações e falado com pessoas que moram ali à anos, chegamos as seguintes conclusões: a voz da ligação é de uma garota morta pela mãe que a chamou para ver o pôr-do-sol e jogou-a no poço, - a mãe tinha ciumes da filha com o pai. A familia havia cavalos e a mãe fazia com que a garota dormisse com eles.
Após todo esse estudo, descobrimos que o único jeito de nos salvar era tirando o corpo da menina de dentro do poço, enterra-lá devidamente e quebrar a fita.
No dia seguinte, faltando dois dias para a nossa morte, fizemos tudo o que deveria ser feito. Ficamos radiantes de alegria ao sabermos que não morreriamos mais.
Quando completou sete dias, voltamos para o chalé, desta vez sem pegar nenhuma fita na recepção, apenas para vermos o pôr-do-sol próximo a árvore.
Depois de vermos o pôr-do-sol entramos. Após um instante o telefone tocou, dessa vez eu que atendi. A voz no outro lado da linha dizia:
-Vocês não fizeram tudo o que deveria ser feito, ainda terão uma morte lenta e dolorosa como a minha!
E tudo se apagou.
Autor: Fernanda Oliveira
Baseado no conto: venha ver o pôr-do-sol, Lygia Fagundes
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